A criação da “supertele” amarelinha está seguindo com louvor os nossos padrões de gestão tupiniquins: muita malandragem e “jeitinhos brasileiros” para concretizar o negócio. Tudo pela ótima promessa de retorno de investimento para o governo (…é nois!) que o negócio pode gerar e é claro, para acirrar a competição(?) no mercado de telecomunicações latino-americano, e futuramente mundial.

Aposto que todo o corpo executivo da Telefônica e o Carlos Slim nem estão conseguindo dormir…

O empréstimo bilionário do BNDES (também quero) foi o ato mais heróico da história desse país para contornar o problema do complexo grupo de holders da BrT (leia-se Citibank x opportunity + Daniel Dantas nos tribunais de NY). A eficiência com que a ANATEL aprovou o novo PGO e passou para consulta pública foi de arrepiar, são estes atos que nos fazem sentir orgulho de ser brasileiro.

Antes este era o papel da Seleção, mas agora… deixa pra lá né Dunga?

Melhor, escreve o pessoal do Migalhas no Política&Economia na Real:

Varig/BrOi

Um pouco ao modo do que ocorreu no Caso VariLog, o Palácio do Planalto conseguiu arrancar (esta é a expressão exata) da Anatel as sugestões para alteração no Plano Geral de Outorgas (PGO). Depois de muita pressão e até da ameaça de nomear um conselheiro-tampão para a agência, dois dos quatro conselheiros recuaram de suas posições e o processo andou. As mudanças são necessárias para legalizar um negócio – a compra da Brasil Telecom pela Oi – já realizado, mas que até agora é ilegal.

É outra inovação brasileira : a lei de caráter retroativo. Uma jabuticaba, só existe aqui.

O governo tem interesses diretos e indiretos no negócio. Naturalmente classificado “de interesse público”, de interesse estratégico, embora o distinto público de fato ainda não tenha conseguido ver as vantagens de uma fusão de empresas que vai aumentar a concentração num setor já oligopolizado.

As teles não gostaram das sugestões que saíram do forno da Anatel. Nem as duas diretamente interessadas, nem as duas outras de peso. Apenas as pequenas, regionais, aplaudiram tudo. A Oi já disse que, se os serviços de banda larga e de telefonia tiverem de ser divididos, como se depreende que o serão de acordo com a proposta da Anatel, o negócio com BrT deixa de interessar.

Ora, o governo é o primeiro a querer a concretização da negociação. As sugestões da Anatel são apenas isso – sugestões. Ainda há uma consulta pública, depois um novo texto preliminar, uma revisão no Ministério das Comunicações e outros na Casa Civil. E como a palavra final é do presidente Lula, que assinará no decreto do novo PGO, a Presidência da República poderá acatar tudo que vier da Anatel, apenas parte, ou nada. Será o que Lula determinar.

O caso VariLoG ainda pode deixar saudades.

Por José Marcio Mendonça e Francisco Petros.

Ora vamos, impedir que uma mesma empresa atue em “setores distintos” de serviço, como banda larga e telefonia, é retrocesso? é fechar os olhos para tecnologia? complexo…

Tecnologicamente falando, hoje em dia são serviços similares com alto valor agregado e que podem ser facilmente agrupados. A oferta de serviços quadriplay (fixo, móvel, dados e TV por assinatura) é o sonho dessas operadoras e de muitos usuários, acrescente aí outros produtos como oferta de conteúdo, IPTV, MobileTV, … num país como o Brasil onde a tecnologia chega depois, com seus impostos protecionistas sem sentido, com as portas escancaradas para a pirataria, produtos paraguaios e chineses e com uma inclusão digital feita “nas coxa” acho que pode ser considerado um avanço o Lula cortar essa recomendação da ANATEL e liberar geral.

Porém, pegando o caso da fusão mesmo como exemplo, será que podemos confiar no governo e nas grandes corporações que dizem ser amiga do consumidor? como a Oi sendo cabeça do movimento “bloqueio, não!” dos móveis, mas que enfiam facadas de fidelidade nas nossas costas sugando o possível, com quebras de contrato altíssimas, visando sempre aumentar o ARPU e o seu faturamento.

É muito irônico pensar que o novo player BrTOi irá criar um mercado competitivo com TIM/VIVO e Claro… que é o consumidor final que vai sair ganhando… nós nunca saímos ganhando! quando foi a última vez que isso aconteceu? no começo pode parecer que vai melhorar, mas depois vai se equilibrar e aí amigo, good luck. E mesmo que haja uma luz no fim do túnel, um efeito robin hood na “supertele”, o Slim compra ela a hora que ele quiser.

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