Do ótimo Política&Economia na Real do Migalhas.

América Latina : os velhos problemas voltam à pauta

A alta do petróleo, em particular, e das commodities, em geral, propiciaram condições especiais para que países em desenvolvimento ou, até mesmo subdesenvolvidos, melhorassem a situação de crédito soberano e do balanço de pagamentos. No caso específico da América Latina, a Venezuela, o Brasil e a Argentina (nesta ordem) apresentam desde 2002 um desempenho econômico marcadamente favorecido por este movimento de preços no mercado internacional. De fato, as políticas macroeconômicas desses países não sofreram alterações estruturais no que se refere às políticas fiscal, industrial, social, etc. Apenas foi mantido o status quo suficiente para que o cenário externo favorável pudesse ter conseqüências positivas para esses países, sobretudo no que tange ao desempenho econômico. Poder-se-ia até argumentar que há certa letargia no que se refere às reformas estruturais desses países. Assim sendo, a piora do cenário externo deve expor de maneira mais explícita as fragilidades estruturais destes países. Nada de novo na história latino-americana.

No caso da Venezuela e a Argentina, a inflação é galopante em ambos os países, acima dos 25% em termos anualizados, e a situação fiscal piora na medida em que o governo descarrega dinheiro em programas assistenciais para ampliar o apoio popular. Na semana passada, o líder populista venezuelano Hugo Chávez pronunciou-se a favor de uma “aliança estratégica nacional” que terá como item principal a consecução de um amplo plano de gastos públicos para estimular o investimento. Resta saber se a retórica chavista passará à ação e se o aumento do investimento será acompanhado pela redução do consumo público. O mesmo raciocínio vale para o caso da Argentina, país onde o par Cristina e Nestor Kirchner não consegue criar uma estratégia abrangente a ponto de tornar viáveis políticas pró-produção e pró-trabalhadores. Simultaneamente, no caso.

E o Brasil ? Bem, o nosso caso é de mesma natureza, mas de menor intensidade. Afinal de contas, não poderíamos afirmar que o governo está sendo populista no caso da inflação. Já no caso do setor público, o crescimento superior dos gastos públicos comparativamente ao crescimento do PIB é um problema e tanto. O endividamento público permanece alto e o investimento do setor público é capenga, mesmo quando travestido sob o codinome de PAC. Os próximos três trimestres são de aceleração da inflação e queda da atividade econômica. Com efeito : os problemas fiscais vão se tornar mais evidentes já que grande parte do aumento da arrecadação se deve ao crescimento dos últimos três anos.

Não podemos ter ilusões : o Brasil tem tudo para se destacar dentre os países emergentes nos próximos anos, mas a América Latina como um todo é um poço de problemas cujo encaminhamento é incerto e pode resvalar para o populismo histórico. O Brasil parece mais imune a isso, mas tem lá suas mazelas. Nada desprezíveis, diga-se.

por José Marcio Mendonça e Francisco Petros.

Blog da Miriam Leitão.

Commodities mais caras em junho

Os preços agrícolas continuam em alta como vêm mostrando vários indicadores de inflação. Ontem, o IGP-10 mostrou forte pressão dos alimentos tanto no atacado quanto no varejo (vejam post mais abaixo). Nos preços negociados no mercado futuro, as maiores variações no mês estão com o milho, trigo e soja, como mostra o gráfico abaixo enviado pela Gap Asset.

A pressão sobre o milho está sendo causada pelas enchentes que atingiram o meio-oeste americano. Muitas plantações foram afetadas e algumas terras ainda estão encharcadas. Isso está atrasando o plantio da próxima safra. O trigo é reflexo da crise na Argentina, um dos grandes produtores mundiais e que reduziu as exportações.

Olhando para o gráfico, percebe-se que a maioria das commodities estão com preços mais elevados. Além da relação oferta e demanda apertada (puxada pela China, principalmente), também pressionam os preços o enfraquecimento do dólar e o valorização do petróleo (que aumenta os custos de transporte e dos fertilizantes).

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