Um belo artigo no freakonomics apresenta uma pergunta interessante: “Como a crise mundial e a iminente recessão afetam o mercado de tecnologia ecologicamente correta (clean technology)?

Eles fizeram essa pergunta para três especialistas e reproduzo abaixo alguns trechos:

The financial crisis has triggered what many expect to be a nasty global recession in 2009 (the first nine months of the 2008 portion of the recession weren’t really nasty). All of the market-based factors that were contributing to the inevitable (someday) Hotelling switch point are gone. The gap between renewable and nonrenewable prices is widening instead of shrinking. A good guess is that almost all large, private renewable-energy investments will be put on hold in 2009. In these economic conditions, government subsidies in the form of fiscal policy (i.e., “green jobs”) and renewable energy standards and mandates (e.g., North Carolina state agencies must use 12.5 percent renewables by 2021; my computer may be running off biodiesel by 2015) that would actually cause consumers and firms to switch energy sources and push us closer to the switch point will need to be large and larger. (John Whitehead professor in the Department of Economics at Appalachian State University and contributor to the blog Environmental Economics)

The financial crisis is having a significant — but not disastrous — effect on clean technologies. Wind and solar power technologies depend on electric utility demands driven by overall electricity use and by state regulations favoring clean technologies. Higher interest rates and demand downturns due to the recession are dampening demand. Florida Power and Light has reduced wind power investments by 500 megawatts, and Duke Energy has dropped $50 million of solar power projects (The Economist, “Gathering Clouds,” November 6, 2008). The hiatus in new home construction is dampening increases in green technologies that conserve energy, conserve resources, and reduce carbon footprints. The recession threatens similar deleterious effects from declines in commercial construction. (George Tolley, Professor Emeritus of Economics at the University of Chicago and president of RCF Inc.)

I think the financial crisis will be remembered as a catalyst for public-policy changes that benefited clean energy. Already, the crisis has helped Obama to win the White House and the Democrats to score major gains on Capitol Hill. Now Congress is assembling a new stimulus bill that could total $500 billion or more and will include expanded subsidies for clean energy. (Ethan Zindler, head of North American research at New Energy Finance)

Esse foco na produção de bens de consumo que utilizem energia renovável (green technology) na sua fabricação se tornou uma exigência de alguns governos e é uma tendência de mercado, exemplo da Motorola que recentemente lançou um celular feito com garrafas pet. Mais de 90% dos investidores esperam investimento em tecnologia verde em 2009 (Green Tech, Credit Crunch beliscar-Clean Energy Sector, 18 de setembro de 2008), outro incentivo é a administração Obama que começa agora nos Estados Unidos, com certeza uma das mais favoráveis a adoção a longo prazo de tecnologia verde que se tem notícia.

Em 2008 nós estavamos perto do chamado Hotelling switch point pelos economistas, que ocorre quando o aumento do valor das energias não-renováveis (carvão, petróleo, etc) se iguala com o a queda de valor das energias renováveis (solar, eólica, etc). É esperado que o preço das fontes de energia renováveis caiam à medida que a tecnologia disponível para aproveitá-las melhorem e consequentemente reduzam os custos de produção. Neste caso o crescimento de receita pode também aumentar a demanda de energia limpa em relação à energia suja, incentivando ainda mais a troca. Contribuindo para essa tendência está a histórica instabilidade no valor do barril de petróleo (guerras no oriente médio e atritos políticos liderados por Venezuela e Estados Unidos) e a preferência do consumidor final pelo produto mais verde.

Resumindo: a tendência lógica era a de que as fontes de energia não-renováveis se tornassem cada vez mais inviáveis devido a queda na sua oferta (limitação tecnológica e ambiental) e consequentemente alto custo; e que as fontes de energia renováveis tivessem seu custo descrescente devido aos avanços tecnológicos e a crescente demanda. Porém, com a crise mundial afetando o capital disponível para investimento e as futuras ondas de demissões acontecendo o quadro parece mudar para o que os economistas chamam de uma relação perde-perde onde o Hotelling switch point voltará a ficar distante com o barril de petróleo voltando a bater recordes e um campo promissor de pesquisa estagnado por falta de investimentos.

Acredito que os pontos de controle para que o investimento em tecnologia renovável não diminua sejam o valor do barril de petróleo, a taxa de desemprego (muito ligada com a demanda que esses bens de consumo terão) e como a administração Obama vai lidar com a crise (primeiros 120 dias de governo).

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